domingo, 3 de agosto de 2008

repetição

Dias repetidos. A vida é cíclica, maré cheia que, quase sempre, esvazia. Esvazia até secar por completo. Até a última gota de água evaporar. Resta, então, um grande punhado de sal. Mar branco e seco, que também me seca e me salga. Seca constante que torna a alma sedenta de tudo. E o sal sobrevive, não morre e não se vai. Permanece sempre ali, salgando e tornando ainda mais viva a ferida necessitada do alívio que a água traz. Conservada pelo sal das lágrimas que um dia escorreram, eu espero. Espero a chuva brotar no canto dos meus olhos tempestuosos. Tempestade vermelha, de sangue e água. Para, mais uma vez, curar a febre, aliviar a dor, lavar a alma.

Um comentário:

Giovanna Cóppola disse...

Dessa vez eu fiquei sem palavras. Conforme eu ia lendo, parecia até que eu sentia o gosto do sal. Vou me abster de um comentário mais prolongado porque dessa vez você realmente se superou. Beijo grande!