quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

mar morto

Ranjo os dentes. A dor é lascinante. Um gosto salgado molha a língua. Mar vermelho em minha boca. Oceano profundo repleto de células-palavras. Palavras nunca ditas. No fundo do oceano, estão os meus dentes quebrados, como conchas repousando sobre a areia da língua. Partiram-se tal era a força das palavras batendo como navios perdidos contra as rochas marinhas. Nesse oceano vermelho não há vida. O único movimento que existe é o das palavras. As quais vagam como almas perdidas, abafadas pelo silêncio profundo da garganta. Sinta o gosto do sangue.

Um comentário:

sptdb disse...

Nossa... que forte!

Li três vezes ... ¬¬

".. abafadas pelo silêncio profundo da garganta.. "

Perfeita! Assim vou começar a citar vc!

Beijos, gata :*