domingo, 23 de novembro de 2008

invasão consentida

Chegou assim, sem falar nada. Mudamente, como se sempre estivesse estado ali, sentou-se no sofá da sala. Sentou, esticou as pernas, ligou a televisão (e ainda escolheu o canal). Cansada da TV, procurou o som. Espalhou meus discos, prateleira tão organizada. Trouxe, assim, música para os meus dias. Trilha sonora calada, canção de ninar para os sonhos. Foi até a cozinha, abriu as panelas, deixou as gavetas abertas e me disse o que queria para o jantar. A sobremesa? Por sua conta. Doce, infinitamente doce, açúcar aliviando a tensão dos dias amargos. Cansada da longa viagem até onde estamos, foi tomar banho. Tomou, usou meu sabonete e estendeu a sua toalha sobre a minha. Fiz a cópia das chaves, assim você nem precisa bater. Simplesmente entra, sem pedir sequer permissão para permanecer.

2 comentários:

carmen disse...

Me gusto mucho, describes muy bien la situacion.Una persona independiente, y enamorada que observa como alguien especial se cuela en tu vida.
Realmente escribes para que te lean. tia carmen

ninha disse...

É assim, descrição perfeita, do amor que invade simplis, correqueiro, nos atos mais comuns é tão forte e dominante...